19 de Ago, 2022
Mato Grosso do Sul bate novo recorde no Dia Mundial para Observação de Aves
12 de Out, 2021

Com mais de 50 grupos de observação de aves mobilizados e distribuídos pelo território, Mato Grosso do Sul concluiu o Grande Dia (9 de outubro) com 72 listas de aves catalogadas e mais de 330 espécies registradas em apenas 24 horas. O Global Big Day é o dia do ano reservado para a observação de aves pelo mundo. Observadores do mundo inteiro saem para a prática de observação de aves livres em seu ambiente natural e o MS esteve mobilizado na atividade durante 24 horas. 

O birdwatching é um segmento do ecoturismo que movimenta milhões de dólares em todo o mundo e cada vez mais está se firmando no Brasil, em especial no Mato Grosso do Sul. Na conta, mais de 20 municípios participaram do Grande Dia para Observação de Aves no MS: Aquidauana, Alcinópolis, Bodoquena, Bonito, Dourados, Caarapó, Campo Grande, Costa Rica, Corguinho, Corumbá, Coxim, Dois Irmãos do Buriti, Glória de Dourados, Iguatemi, Jardim, Jateí, Ladário, Miranda, Naviraí, Porto Murtinho, Rio Brilhante, Rio Verde do Mato Grosso, Rio Negro, Sidrolândia e Terenos.

Foto: Luiz Felipe Mendes

Simone Mamede, do Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo, aborda que as atividades como o Big Day, além de promover um momento de valorização da biodiversidade do estado, também é uma forma de incentivar o turismo sustentável e contribuir com a ciência: “Isto significa que, ao mesmo tempo em que interagimos com a natureza, através da observação de aves, podemos identificar novos destinos de turismo de observação de aves e de vida silvestre, promover a ciência cidadã e realizar um turismo consciente e sustentável”.

 

O diferencial deste Big Day de outubro de 2021 é que o mesmo extrapolou os limites geográficos do eixo Bonito – Pantanal já consolidados como destinos de ecoturismo e de turismo de vida silvestre, demonstrando a riqueza de aves existente de Norte a Sul do estado de Mato Grosso do Sul.

 

Além de Pantanal e Bonito, estiveram entre os hotspots áreas das regiões turísticas Vale das Águas, Caminho da Natureza Cone Sul, Caminhos dos Ipês e Rota Cerrado Pantanal (antiga Rota Norte).

 

Outro ponto marcante nos hotspots foi a presença das Unidades de Conservação, as quais foram decisivas na escolha dos birders de onde passarinhar. Foram contemplados o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema, Parque Estadual das Matas do Segredo, Parque Estadual das Nascentes do Taquari, Parque Natural Municipal Templo dos Pilares, Parque Natural Municipal Lagoa Comprida, Parque Natural Municipal Cumandaí, Parque Natural Municipal Salto do Sucuriú, APA Baía Negra, APA do Lajeado, APA Estrada Parque Piraputanga, RPPN Buraco das Araras e  RPPN Cara da Onça.

Foto: Dione Salles

 

Relatos emocionantes

 

Uma das observadoras de aves de Dourados, Suzana Arakaki, professora de História,  depois de longo tempo dentro de casa, em razão da pandemia: “Nos reunimos para o Big Day. Nem todos da equipe puderam comparecer por razões de trabalho ou do tempo, estava armando um grande temporal que acabou acontecendo antes do meio-dia... Muita chuva. Mas fizemos nosso percurso e observamos mais de 30 espécies, o que foi pouco, existem muito mais no parque. Esse reencontro com o parque foi muito mais que observar aves. Acho que a pandemia nos deixou mais sensíveis, nos detivemos observando as árvores, nossa! quantas frutíferas... paramos para ver uma nascente e nessa crise hídrica, aquele borbulho de água brotando, nascendo, ganhou outra dimensão... Como é importante cuidar das áreas verdes... Durante o percurso notamos o lixo plástico espalhado em vários locais próximos aos cursos d’água. Que tristeza esse descuido com esse precioso bem comum que é o parque. Com a chuva ameaçando, finalizamos a observação, já esperando pelo próximo Big Day!”

 

Outro relato foi do Thiago P. de C. e Timo. “Participei pela primeira vez do Big Day, nesse 9 de outubro de 2021, em uma pandemia, me adaptando a um novo lugar, tão distante da minha casa, mais uma vez, e com pessoas novas no meu convívio. A convite dos queridos Gabriel Freitas e Rafael Souza, juntei-me à equipe “João-Pinto” e visitei com eles, além de outros novos amigos, a Baía do Jacadigo e a APA Baía Negra, em Corumbá e Ladário. Amostramos ao longo do dia e início da noite, e, no jargão do “Birdwatching”, tudo para mim era “lifer”!!! Dia de perder o fôlego!!! Uma joia alada mais linda que a outra! O entusiasmo dos amigos, o deslumbramento dos novos amigos, a diversidade do Pantanal e Chaco e as paisagens amplas e majestosas tornaram o calor um incomodozinho secundário. E, mais importante, me fizeram ver que essa iniciativa é de suma importância para o engajamento da sociedade na conservação das espécies nativas e no despertar para a necessidade da ciência, principalmente da ciência cidadã! O deleite proporcionado por esse dia será, para mim, sempre inesquecível, mas um ruído de fundo diante da magnitude do alcance da iniciativa de Gabriel, Rafael, Simone Mamede e seus colaboradores em colocar o estado de Mato grosso do Sul no mapa do Big Day e contribuir com o conhecimento sobre as aves no mundo! Parabéns, vocês são excelentes! Ansioso pelo próximo!”.

Falcão-relógio, por Geancarlo Merighi

 

Maristela Benites, do Instituto Mamede, concluiu que, além do salto no número de participantes e municípios contemplados, o saldo do Big Day foi o engajamento social em torno de uma atividade educativa e a aproximação da ciência. Também os quintais, que antes da pandemia, eram pouco elegidos para a observação de aves no Big Day, agora, definitivamente é uma categoria que veio pra ficar e ganhou outra conotação de lar e de aconchego. Portanto, a observação de aves é um portal para acesso a outras dimensões como a reflexão sobre os bens naturais e a saúde do planeta, respeito às pessoas, aos lugares visitados e a todas as formas vivas que compõem a biodiversidade. A cultura da observação de aves representa um estímulo a outras bioconexões e comprometimento com a vida”.

 

O próximo evento mundial – Global Big Day – será em maio de 2022, mas os sul-mato-grossenses não precisam esperar até 2022 para passarinhar. A prática de observação de aves é sempre muito bem-vinda a qualquer instante e tem se tornado uma prática cultural a render muitos frutos. Então, “Vem passarinhar, MS”.

 

Texto: Simone Mamede, Maristela Benites e Fabio Pellegrini.

Foto destaque: Simone Mamede/ Local: Fazenda Igrejinha, Rio Verde 

 




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